Cá está ele, mais uma vez, como foi semi-prometido. À falta de protestos aquando da sua primeira publicação, não vi mal nenhum em ir recuperar as velhas 26 letrinhas do alfabeto germano-latino. Cá fica então...
Amigas - Não tenho amigas. Tenho várias conhecidas, com quem mantenho relações mais ou menos próximas. De momento não tenho "companheira", mas se tivesse, também não sei se seria uma "amiga", no mesmo sentido com que chamamos "amizade" à camaradagem masculina. Não estou a ver uma mulher jogar Poker com a Seita, ou a entrar em batalhas de papel higiénico ou a discutir assuntos sérios com base numa lógica coerente. Pode ser só impressão minha, mas creio que a situação é comum a muitos homens. Agora se é bom ou mau....
Bibliofilia - Começo a pensar que sofro deste mal. Compro livros atrás de livros, mesmo sabendo que me será difícil lê-los nos próximos tempos. Clássicos reconhecidos, novos autores, ficção, ensaios, BD, livros técnicos... Compro de tudo. Tenho prateleiras organizadas, mas a abarrotar de obras já exploradas, enquanto os virgens estão amontoados à espera de se abrir para mim. Os lidos são, sem excepção, arrumados condignamente na prateleira, orgulhosos do seu status. E eu penso porque é que não me livro eu deles? Já os li, alguns nem são assim tão bons. Para quê mantê-los quando os novos precisam de espaço? Só me ocorre uma resposta. Os livros são como pessoas. Acompanham-nos quando estamos sós, dão-nos os bons-dias e as boas-noites, são bem falantes e se os criticamos eles não respondem. São calmos ou temperamentais. Descartamos os amigos depois de acharmos que já os conhecemos bastante bem? Não. Separamo-nos por vezes, mas guardamos o contacto. Com os livros passa-se o mesmo. Não se deitam os amigos para o lixo.
Coupling - Nós que já vimos, andamos para ver e recuperaremos futuramente, sabemos o que é. E gostamos, uns mais que outros, tal como em tudo na vida. Britcom de luxo, para mim está ao nível dos grandes (como Monthy Phyton, Black Adder, ou Allô Allô), mas talvez mais cuidada, adulta e inteligente. E preferia ser sodomizado, ao mesmo tempo que assava sobre fogo lento, se me obrigassem a ver o Seinfeld tendo o Coupling à mão.
Deep Purple - Esqueci por uns tempos a Mark II e dediquei-me a ouvir os primeiros álbuns desta banda. E como diria o outro, fiquei maravilhado. Com as alterações que levaram à mudança de rumo musical da banda, por volta de 69, mas que só se fariam sentir no histórico "In Rock" de 1970, o Heavy Metal pode ter ganho os seus "founding fathers". Mas perdeu-se para sempre uma grande banda de Rock Progressivo.
Espanha - Gosto de Espanha. É uma mescla de cenários lindos, vilas históricas e misteriosas e cidades cosmopolitas e atraentes. Regiões ricas, algumas boas costas, deve ser uma país maravilhoso para se viver. O único problema que encontro em Espanha é estar cheia de espanhóis.
Filosofia - "Com a qual e sem a qual se fica tal e qual". Disse-me esta o Carvalho Homem.
Gibson, Mel - Mel não para de subir na minha consideração. Depois de ter feito milhões a vender réplicas dos pregos que Cristo não gostou de ter nas mãos, fala-se agora de um filme sobre os Pastorinhos. Eu digo: "Venha ele!". O Mel ganha mais uns tostões à custa dos crédulos, e o artezanato da região centro também agradece ao australiano por recuperar o negócio das miniaturas de Nossa Senhora de Fátima. Dêem a pasta das Finanças a este homem!
Hergé - Georges Remi e a sua criação, Tintim, voltam a estar na moda, agora com os DVD's que saem no público às Sextas. Não gostei dessas séries televisivas. Apesar do movimento que impelem aos personagens, que é sempre uma vantagem em relação ao papel, os velhos álbuns continuam a ter lugar cimeiro sobre a séria da Nelvana, por muita qualidade que esta tenha. Além do mais, os livros continuam a mostrar tudo, desde as tendências anti-comunistas de Hergé, até ao seu apoio ao colonialismo europeu, sem esquecer o desfavor com que retratava todas os povos não francófonos. Quem pode, por exemplo, esquecer o Sr. Oliveira da Figueira?
Inglaterra - Futebol, alcoól, pubs, compras, comida de todo o tipo, melting-pot de culturas, línguas e etnias, paisagem linda de morrer, tempo mais ameno que o negativamente publicitado, Wimbledon, Escócia, Gales e Irlanda logo ao lado, Robbie Fowler, BBC, cabines de telefone vermelhas, paradas, "bobbys", raparigas malucas, Britcom, Cambridge, música, História fascinante, curso de História bem-visto socialmente e altamente empregável nos quadros altos da administração, Lords de cabeleira, grande arquitectura, condução do lado correcto... Que mais pode um Homem querer?
Jornalismo - A minha tese de licenciatura não deixará de focar o enorme contributo cultural dos periódicos desportivos. Num país onde este género domina o mercado dos jornais diários, é bom ver que teêm a percepção do seu papel e conseguem arranjar espaço por entre as notícias dos clubes para divulgar a cultura, a actualidade política, a economia, etc... Embora o façam, obviamente, em muito menor escala que os jornais generalistas, não deixa de ser um esforço a salutar.
Kubiak, Larry - Revendo "Parker Lewis can't lose", é impossível ficar imune à presença de Larry Kubiak, a enorme estrela do futebol americano, meio homem, meio outra coisa qualquer, gourmet requintado, e inventor da lanterna electrica com energia de batata. O personagem é fascinante, inesquecível, daí que não surpreenda que o actor que encarna o "Kube" tenha sido o uníco participante da série a ter algum sucesso depois dela (entrou, por exemplo, na popular série E.R.). Isto, claro, se excluirmos Milla Jovovich, que teve uma fugaz aparição logo no primeiro episódio.
Liverpool - Este ano o meu clube destroçou-me o coração. Nem quero saber se vão ganhar alguma coisa ou não. Um clube que perde a sua identidade da maneira que o Liverpool F.C. está a fazer não merece respeito. Sobretudo quando mais parecem não um Liverpool Football Club, mas um Real Club Deportivo de Liverpul.
Miúdos - Fiquei siderado quando ouvi pela primeira vez uma emissão da Rádio Dos Miúdos Fantásticos na RUC. A simplicidade, e ao mesmo tempo, a imaginação que as crianças demonstram não cessam de me espantar. E na sua ingenuidade continuam a atirar farpas que um ouvinte mais atento não pode ignorar. Como aquela pequena que, questionada sobre acontecimentos recentes, disse que a semana fora má, porque morrera a Irmã Lúcia, o Irão tinha sofrido um terramoto e o PS tinha ganho as eleições.
Nada - O nada é das coisas mais inteligentes que se pode fazer em certos momentos. Assistir a uma luta e fazer nada. Estar no meio de uma conversa sem sentido e de menor importãncia e dizer nada. Receber comentários rudes e desfavoráveis e sorrir. Mas respondendo nada. Obviamente que há casos e casos. A intelegência reside aí. Saber quando falar e quando ficar calado. Optar por um ou outro dá sempre merda.
Ordem - A Ordem é um dos principais desejos das agremiações políticas. A Ordem Social está presente em todo o discurso ideológico tanto de Direita como de Esquerda. Todo a nova força política deseja instituir a sua "Nova Ordem". Hoje este conceito está em decadência, mercê do uso exagerado que dela fizeram os regimes totalitários de meados do século XX. E com pena minha, diga-se. A "Nova Ordem", fosse ela fascista, nacional-socialista, comunista ou capitalista, almejava sempre a ideia de uma sociedade justa, equilibrada, autoritária mas livre, progressiva mas conservadora. Os projectos internacionalistas de homens como Trotsky, Gravelli ou Ameal, todos ideólogos de regimes totalitários do século XX, primavam pela clareza e transmitiam a sensação de esperança no futuro segundo a Ordem proposta. Infelizmente, a execução das "Novas Ordens" propostas por estes três homens coube, respectivamente, a Stalin, Mussolini e Salazar, que souberam deturpar e desconstruir essa ideologia em seu favor. Isto para dizer que eu, enquanto cidadão, não me oponho, per si, a "projectos" de sociedades construidas segundo uma ideia de "Nova Ordem" autoritária. O meu papel deve ser activo apenas na escolha dos executores, a fim de evitar que bons planos caiam nas mãos erradas.
Política - O novo Governo PS entra em acção em grande, arranjando novos inimigos, desafiando lobbys até então imperturbados. E a meu ver, fá-lo bem. Esta coisa das rendas e da venda de medicamentos fora das farmácias não é o que vai salvar o País. Mas é de saudar a sua utilidade. E é por aí que se deve começar: renegando o supérfluo, investindo no útil.
Queen - Os Queen vêem a Lisboa lá para Julho. Desde novo que sou fã da banda, da espectacularidade de Freddie Mercury, do virtuosismo de Brian May, do humor de Roger Taylor e até da serenidade de John Deacon. Mas apesar de tudo esta tournèe com Paul Rodgers, outro veterano, não deixa de me cheirar a aproveitamento. Gostei de ouvir os membros dos Queen dizer, após a morte de Freedie, que a banda acabava ali. Pensava que poderiam seguir rumos novos, bandas novas, etc... Mas ao invés disso, continuaram a vender a musíca dos velhos Queen, e os poucos trabalhos a solo lançados eram desprovidos de originalidade. O espectáculo até pode ser bom. Mas os seus propósitos estritamente comerciais não podem ser apagados.
Richelieu - A figura histórica desta edição. Armand-Jean Duplessis de seu nome, bispo de Luçon, Cardeal de França, Duque de Richelieu (1585 - 1642). Frio, implacável, extremamente inteligente e realista, este homem, a quem as necessidades de família tiraram uma carreira militar, soube aproveitar ao máximo as facilidades concedidas pelo seu hábito. E neste caso o hábito não fez o monge, já que Armand-Jean continuou quase tão laico como nos tempos da Academia Militar. Foi homem de Estado acima de tudo, nunca deixou que Deus interferisse em algo tão importante como a política. Por baixo da sua vermelha capa não era invulgar encontrar-lhe a reluzente armadura e a espada, pronta a cair sobre hereges que não pagavam impostos, imperiais católicos habsburgos ou nobreza improdutiva. Se a França de hoje deve alguma coisa a alguém, não é a Carlos Magno, S. Luís, Joana d'Arc, Luís XIV, Rousseau, Montesquieu, nem sequer a Napoleão ou De Gaulle. A França moderna deve tudo a Richelieu, que diz-se, ainda terá dado um ligeiro empurrão ao nosso 1º de Dezembro de 1640. Dumas era um idiota.
Sonhos - os sonhos são das matérias que mais me intrigam, sobretudo quando eu os tenho à grande. O que fará mexer os cordelinhos das nossas células cinzentas para tecer estas manifetações simbólicas ou misteriosos "dejá-vu's"? Os acontecimentos do dia-a-dia? Sentimentos escondidos interiormente? Seja o que fôr também não me dou contente com as respostas dos "intérpretes", sejam eles psicólogos reconhecidos ou videntes de capacidade duvidosa. Nunca caí de um precepício, nunca voei, nunca fugi de ninguém a quem não via a cara em direcção a uma luz que não consigo alcançar. Nada disto se passou comigo. Comigo é só o Jaime Pacheco e o Ronaldinho versão PSG a esfaquear-me quando tento falar com a Mylène Farmer, ou o Rochemback a gritar com um paquistanês que foge num Tricana. Vá-se lá entender isto...
Team America - Vi recentemente o "Team America". Não é mau de todo, mas ainda está a milhas tanto de "Thunderbirds" (a série, não o filme) como de "South Park". Esperava no entanto, um filme mais crítico do que aquilo que realmente é. Na verdade, o que causou mais gargalhada na sessão a que assisti, não foram tanto as "bocas" que os bonecos mandavam, que não eram nada de especial, mas sim o "cómico de situação".
Untergang, Der - Este filme, que muito boa gente apontava para o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro, trata supostamente dos últimos dias de Hitler no seu Fuhrerbunker de Berlim. O filme terá também recebido várias críticas negativas por apresentar Hitler de maneira muito humana. Ainda não vi o filme, mas se calhar esses senhores até têem razão. Se o homem, que está à beira de uma estrondosa derrota e já vê a morte no horizonte, não aparece de olhos vermelhos e a gasear judeus rindo sádicamente, então é porque o filme deve estar mal feito... Afinal de contas todos sabemos que Hitler era um alien que cuspia fogo e não tinha sentimentos, tal como Salazar, Stalin, Bismark, Napoleão, Genghis Kahn, etc...
Videojogos - Gosto de videojogos. Não até à dependência, claro. Mas aprecio a sua vantagem em relação à televisão. Há anos atrás, quando se discutiam os hábitos televisivos das crianças, ameaçava-se que estas poderiam crescer para adultos quase vegetativos, tal o tempo que passavam imperturbáveis e atónicas em frente ao caixote. Os videojogos vieram recuperar alguma dinâmica, alguma interactividade com o Grande Altar de Entretenimento Passivo. Alguma actividade também. Certos jogos obrigam já a maior movimento. Em relação à televisão, também estímulam mais alguma actividade cerebral. Claro que acarretam o grande problema do vício, do excesso de estímulo visual que poderá causar danos cerebrais. Mas é aqui que deve entrar um certo controlo. Mas aboli-los a favor do regresso à televisão parece-me desprovido de sentido.
Webber, Lord Andrew Lloyd - Para os meus amigos que pretendem ir a Londres, ficam já a saber que me entristeço se passarem por lá sem ver "The Phantom of the Opera". Já que eu não posso, ao menos cultivem-se vocês...
X - Sempre me intrigou na letra X a sua polivalência. Os iletrados ainda assinam com um "X". O "X" é a mais conhecida incógnita nos ramos matemáticos. O "X" marca o lugar. O "X" serve para multiplicar e para jogar ao galo. O "X" é usado para votar. O "X" tem centenas de outros usos, que aqui não cabe descrever. Com tanto uso que a letra "X" tem, acaba por ser interesante o pouquíssimo espaço que ocupa no dicionário.
Yin e Yang - O Yin e o Yang são para muitos a representação gráfica dos dois pólos que, para certos cultos e filosofias orientais, geram o mundo. Pólos esses que podem ser interpretados como Bem e Mal, Dia e Noite, Norte e Sul. Quanto a mim, atrevo-me a interpretá-los como Homem e Mulher.
Zurzir - Há dias, na FLUC, um insuspeito colega de História virou-se para mim e atirou-me com uma pergunta onde cabia este verbo nada coloquial: "Então o professor zurziu-te muito?". Vá-se lá saber onde foi desenterrar este termo, mas gostei de o ouvir. Parece que afinal esta nossa mocidade ainda fala o bom velho português.