Friday, October 03, 2008

Um novo Dicionário Atónico

Se a vida deve estar em constante mudança, é também verdade que por vezes há que olhar o passado em busca de modelos de sucesso. Parece-me por isso apropriado, neste regresso do Blog da Seita, recuperar a fórmula do Dicionário Atónico e, em vinte e seis entradas, dar um cheirinho do que vai lá fora e cá dentro, do que já foi e do que pode vir a ser.

Abdijbier – agradeço ao grupo Auchan e à cadeia de supermercados Jumbo pela excelente (para aquilo a que estamos habituados por cá) distribuição de cerveja belga, holandesa e alemã, a preços extremamente agradáveis, quase tanto como o conteúdo das belas garrafas. Aviso: perigo de habituação.

Batman – ao contrário da maioria dos cinéfilos, não morro de amores pela nova aventura cinematográfica do morcego, The Dark Knight.Como fã da personagem (porventura o meu super-herói preferido), não posso deixar de sentir que este filme, apesar de ser um excelente filme, é um mau Batman. Vibrei com a atmosfera e com o cenário dos filmes de Burton, mas Chris Nolan parece ter retirado o Goth a Gotham. O enredo é interessante, e o filme agarra o espectador, mas a narrativa parece levar-se demasiado a sério para uma aventura de um herói de BD. Todo este moralismo poderia resultar bem noutro filme, mas falha redondamente neste. Durante todo a película não senti que estava a ver um filme do Batman, mas antes uma mistura de Departed e Die Hard com mascarados. Lamento, caro Pereira, mas não me parece o melhor Batman de sempre. Sou contudo obrigado a concordar com a maioria no que diz respeito à interpretação de Heath Ledger – como muito bem me disse o camarada Piotr, o australiano perde-se dentro do papel de Joker. E é uma pena que se tenha perdido para sempre.

Canadá – enquanto o blog andou adormecido fiz uma visita aos vizinhos simpáticos dos EUA. As impressões que recolhi da pequeníssima parte daquele país que pude conhecer chegariam para posts inteiros, e pode ser que no futuro deixe aqui algumas impressões. Para já, quero só dizer que o que mais gostei no Canadá foi a paisagem intocada pelo Homem – o que dirá isso da civilização que a habita?

Derby – No passado fim-de-semana fomos brindados com um derby. São sempre jogos excitantes, repletos de casos polémicos, jogadas brilhantes e pilhas de nervos. Neste, a minha equipa deslocou-se ao campo do eterno rival, e com muito esforço e uma boa exibição, arrecadou uma vitória preciosa por 2 a 0. É nestas alturas que é bom ser adepto do Liverpool. E este fim-de-semana há Sporting-Porto.

Eleições – nos Estados Unidos da América. Creio não estar a dizer disparates quando afirmo que vença quem vencer, será sempre melhor que a administração anterior. Pelo menos no caso dos republicanos a situação regressa à ordem normal, depois da inversão de papéis dos últimos anos: o cérebro a presidente, o idiota a vice. Se o debate entre os candidatos foi morno, esperava ver faíscas a voar no debate entre a fundamentalista Palin e o experiente Biden. Um reatar do debate Quayle vs. Bentsen? Infelizmente não. Depois de um rasto de gaffes, a Governadora do Alasca veio bem preparada pelos seus conselheiros e bem apoiada nas suas notas, o que deu a ilusão de que efectivamente percebia alguma coisa da poda. Biden, calmo, descontraído, por vezes até demais, foi mais acutilante nas suas declarações, e assumiu, ao contrário de Palin, o desejo de ser mais um vice-presidente, e não um segundo poder na presidência como havia sido Cheney e como quer ser Sarah Palin. Sem deslumbrar, venceu em todas as frentes (menos no populismo), face a uma adversária surpreendentemente dura de roer e que continua a atrair a classe média mal-pensante. Temos luta.

Fora – plural de forum. Embora já andassem por cá nos tempos do mIRC, o que é certo é que este último está cada vez mais em desuso, ao passo que os fora que pululam pela Internet ganham cada vez mais adeptos. Eu próprio frequento com alguma regularidade mais do que um, a saber, os estrangeiros All Empires e Prog Archives (para os quais também contribuo para a página mãe), e os portugueses SomXL e Forum Sons. Gosto destes sítios, pontos de encontro mais ou menos temáticos onde podemos quase sempre encontrar um tópico de conversa que nos agrade, onde podemos mandar umas bocas, fazer e receber sugestões do mais variado género de coisas. Para momentos aborrecidos em casa não há melhor do que abrir um tópico polémico e esperar que chovam impropérios.

Grande Acelerador de Partículas – ou será Grande Colisionador de Hadrões? Algum especialista me pode dizer qual a nomenclatura em português de Portugal do LHC? Enfim, semântica à parte, eu sei é que devia estar aqui a lançar arengas contra o desperdício de dinheiro que aquilo representa tendo em conta a fome no mundo, os tsunamis, terramotos, etc... A verdade é que não consigo - eu gosto mesmo destas experiências, da procura da verdade científica, da fuga aos dogmas insustentados e às trevas da ignorância. É certo que a utilidade material deste LHC para a grande maioria do Mundo é inexistente, mas ninguém que alguma vez tenha feito a pergunta “como é que chegamos a este ponto” pode permanecer indiferente.

Happy Rhodes – embora sejam de assinalar os perigos da Internet, eu não posso deixar de estar imensamente grato a este meio de comunicação por todas as portas que me abriu, seja no trabalho ou no entretenimento. Como melómano que sou, fico radiante por conhecer certos artistas de quem, não fosse a Internet, provavelmente nunca teria ouvido falar. Um desses artistas é a fantástica Happy Rhodes, cantora que faz lembrar o melhor de Kate Bush e Tori Amos, mas com uma voz ainda mais impressionante. Não acreditem em mim, comprovem por vós mesmos aqui.

In Bruges – num ano em que a falta de cinema de qualidade em Coimbra tem sido abismal, tive por mais que uma vez recorrer à Internet para ver um bom filme de 2008. Acabei por não ver assim tantos, mas dos que vi devo confessar que In Bruges é de longe o melhor de todos, e será certamente um dos meus filmes preferidos por muitos anos. Uma história tão bizarra quanto simples, que com base em diálogos fantásticos contempla o sentido da vida, da amizade, da honra e o Juízo Final. Imperdível.

João VI – num ano em que se celebra o bicentenário da partida da corte portuguesa para o Brasil aquando das invasões francesas ao nosso país, cabe aqui fazer uma pequena apologia de um governante português tremendamente injustiçado. Foi claramente alguém mais voltado para os prazeres populares do que para reinar, mas isso não o impediu de, por duas vezes, ter a clareza de mente suficiente para interferir decisivamente no rumo que a Europa e Portugal estavam a seguir. A “fuga” da corte, tantas vezes achincalhada pelos propagandistas constitucionais e mais tarde republicanos não foi mais do que a execução sublime de um plano brilhante gizado 150 anos antes(!) para assegurar a integridade do Estado face a uma invasão inevitável. Equilibrando as relações com duas forças (França e Inglaterra), qual delas a mais ameaçadora, o regente-depois-rei D. João conseguiu estragar os planos napoleónicos de dominação da Europa. Mais tarde, com o Brasil em polvorosa devido aos movimentos independentistas da América do Sul e ao crescimento do país com a permanência (e depois ausência) do estado português, partiu de D. João VI a decisão final de dar a independência ao país mas mantendo a sua gestão na família de Bragança, ao encorajar o filho a assumir a posição de líder antes que outro aventureiro o fizesse. Nos seus horizontes talvez estivesse a reunião das coroas após a sua morte – tal não aconteceu, devido a inúmeras vicissitudes, mas a sua acção poupou Portugal e o Brasil à guerra aberta e hostilidade que pautou a luta pela independência dos vizinhos hispânicos. Podia aqui tecer inúmeras críticas à sua desastrosa gestão das relações com a Inglaterra e com os constitucionalistas, mas para dizer mal há quem o faça melhor que eu. Há certas pessoas que, de vez quando, merecem ser lembradas pelo bem que fizeram e não pelo que deveriam ter feito.

Kurosawa, Akira – travei conhecimento com a obra de Kurosawa pela primeira vez este ano, ao ser brindado numa aula com a exibição de Rashomon – As Portas do Inferno. Não conhecendo nada do grande mestre japonês, fiquei obviamente maravilhado com a qualidade deste filme em várias perspectivas: a cinematografia negra sem deixar de ser luminosa, as imagens recheadas de significados e alegorias, a narrativa sempre imprevisível – enfim, não sou nem nunca serei especialista em cinema, mas gosto da arte e este Kurosawa não engana: é mesmo um grande artista. Fiquei com vontade de conhecer mais, muito mais. É uma pena que o recente ciclo de cinema de Kurosawa da RTP2 tenha passado a horas tão impróprias.

Laurie, Hugh – por muito que me custe, dada a minha natural anglofilia, devo confessar que o homem que nos trouxe grandes personagens em Black Adder e nas suas colaborações com Stephen Fry nunca esteve tão bem como no papel americano de Dr. House. É uma prestação impressionante, que só por si justifica o prolongar da série até à sua muito esperada 5ª temporada.

Miyasaki, Hayao – outro realizador japonês. Influências de amigos, suponho. Nunca fui grande admirador de anime, nem mesmo daqueles para adultos. Sempre me afastaram um pouco as imagens futuristas de muitos destes filmes, visões de mundos que não reconheço, habitados por personagens em que não acredito. Myasaki é diferente. Tive oportunidade de ver dois dos seus filmes, os aclamados O Castelo Andante e A Viagem de Chihiro. À primeira vista, são anime típico – mundos fantásticos onde domina a magia e onde cada personagem novo é mais bizarro que o anterior. As narrativas são mais acessíveis porque, em boa verdade, são filmes para públicos mais jovens. Mas mesmo por entre todo aquele ambiente fantástico de bruxas e feiticeiros é-me mais fácil encontrar uma humanidade, um conjunto de valores, crenças e medos mais do nosso mundo do que nos outros anime. Talvez por ser direccionado para as crianças, o cerne da narrativa acaba por ser as nossas próprias fantasias e medos primordiais. O resultado está à vista - na nossa civilização ocidental, a obra de Myasaki parece ser mais fácil de entender, e talvez seja essa a razão do seu sucesso crítico e comercial.

Nobel – Tive oportunidade de ler recentemente O Prémio, de Irving Wallace. Sou adepto de Wallace, pela quantidade de informação que consegue incluir nos seus romances sem nunca perder o fio à meada ou tornar a leitura maçuda. Embora os seus livros acabem por sofrer constantemente do mesmo mal (finais pobres quando comparados com o resto do livro), os primeiros 3/4 são sempre leituras deliciosas. Neste livro são-nos abertas as portas do louco mundo dos Prémios Nobel, onde acompanhamos as aventuras de 6 laureados e onde recebemos uma lição sobre o funcionamento de toda a estrutura dos Prémios. Mais de 700 páginas sem um só momento aborrecido. Muito recomendado.

Óculos – mais precisamente, armações. Recentemente vi-me obrigado a mudar de óculos. Sem problemas no que respeita às lentes brancas, a coisa complicou-se na altura de escolher uma armação para as lentes escuras, vulgo óculos de sol. É que não há nenhuma que me agrade, parece que a moda hoje são lentes que fazem as pessoas parecer moscas. Lentes pequenas é que nem vê-las. Acabei por escolher os mais pequenos entre os enormes, que ainda assim me enchem a cara e me pesam no nariz. Se alguém encontrar daquelas armações redondas e de tamanho normal é favor dizer onde.

Porcupine Tree – eu vou! Vou ao concerto do ano, que muita gente já prevê que seja o último concerto da banda no nosso país, em virtude das fracas vendas de bilhetes. Uma pena que uma fulana esganiçada que canta para anúncios de cerveja encha 10 vezes mais do que uma das mais brilhantes bandas de música popular activas neste novo século.

Queen (outra vez) – num dos primeiros Dicionários Atónicos trouxe à baila os Queen a propósito da sua visita a Portugal, acompanhados de Paul Rodgers, numa manobra que me pareceu mais direccionada para o monetarismo do que para o revivalismo artístico. Três anos depois, eis que surge o primeiro disco da banda desde o álbum póstumo Made in Heaven. The Cosmos Rocks vem confirmar o meu medo: há muito pouco de Queen neste trabalho, que me lembra mais os projectos a solo de Paul Rodgers. A guitarra de Brian May faz-se ouvir e é facilmente identificável, podendo mesmo trazer à memória outros sons de outros tempos – mas este som inconfundível já foi muitas vezes ouvido fora dos Queen, sob a forma de ilustre convidado, logo não é exclusivo da banda. Enfrentemos a verdade: o nome Queen continua a vender que nem ginjas, e este novo disco tresanda a aproveitamento. Que os músicos sintam vontade de se exprimir novamente e expor a sua produção ao mundo, tudo bem – mas não o poderiam ter feito com outro nome?

Rússia – enquanto uns se começam a esconder debaixo da cama com o regresso do grande lobo mau do Leste, eu continuo a admirar este país fascinante, com imenso por descobrir, e onde o mais planeado dos eventos caminha lado a lado com o mais insólito dos acidentes – daí que uma das minhas páginas web preferidas dos últimos tempos seja English Russia. Imagens fantásticas do mundo pós-Bloco de Leste, com verdadeiras pérolas naturais e humanas pelo meio, vale a pena gastar umas horas a explorar. Para melhores resultados é seleccionar a opção “Photos” e não se esquecerem de abrir cada um dos posts em janela à parte.

Soberania – nos últimos anos assistimos a um atribulado desenvolvimento no processo de construção europeia. O principal argumento dos eurocépticos contra o aprofundamento da união política, através dos seus instrumentos Constituição Europeia (falhada) e Tratado de Lisboa (em vias de falhar), parece ser a questão da perda de símbolos de soberania dos estados (ou pelo menos da incerteza do seu futuro). E que símbolos são esses? Falam muito nos hinos e na bandeira. Ora isto dá-me vontade de rir – então estão preocupados com um pedaço de pano e com uma cançoneta quando o mais sólido símbolo de soberania de um estado, o direito de cunhar moeda própria, já lá vai? Se querem mesmo fazer frente ao projecto, precisam de arranjar melhores argumentos. O problema é que se calhar eles não existem – até porque o patriotismo e o nacionalismo não são incompatíveis com o europeísmo.

Tradução – as traduções e os respectivos tradutores só parecem ganhar notoriedade quando são muito más; quando acontece o inverso, é o autor original que é muito bom, e nunca o tradutor. Que comentário ouvem mais frequentemente a propósito de livros estrangeiros traduzidos em língua portuguesa, “a tradução é fraquinha” ou “a tradução é excelente”? Bah!

União Europeia – tal como está gizada hoje em dia, a União ainda não é para mim. O seu desenvolvimento está estagnado, a união política suspensa mais por diferenças de mentalidades do que por razões práticas, e a política de segurança comum... simplesmente não existe. Queria mais, muito mais do que o que vinha no projecto de Constituição e muito mais do que o que vem no Tratado de Lisboa. Queria uma União (perdoem-me a redundância) mais unida. Não me afligem as declarações de Barroso ao comparar a União Europeia a um novo Império, até porque a analogia tem alguma razão de ser. Vejo com bons olhos os projectos (idealistas mas não utópicos) de passar de uma união de estados para uma federação de regiões, embora compreenda o medo que isso provoca na maioria das cabeças às quais, infelizmente, coube o exercício do poder. O projecto europeu, depois da excitação dos últimos anos, esta novamente parado – até quando?

Victor Victoria – revi casualmente este filme após ter apanhado o início enquanto fazia mais uma sessão de zapping. Para mim é simplesmente uma das mais sublimes comédias da história do cinema. Quando digo “revi”, não me refiro a uma segunda vez vários anos após ter visto a primeira – já perdi a conta às vezes que vi Victor Victoria do princípio ao fim nos últimos 5 anos, e surpreende-me que, apesar de passar constantemente na televisão, permaneça desconhecido para a maioria das pessoas com quem o discuto. É um filme que, apesar da sua temática de cabaret e bichanice (o que pode afastar alguns espectadores), possui um nível elevado de humor, ironia e sarcasmo sem cair no erro de ser brejeiro. Blake Edwards pode ser muito mais famoso pelos seus devaneios com Peter Sellers e a Pantera Cor-de-Rosa, mas para mim é esta a sua obra-prima. Com Julie Andrews, James Garner e um fantástico Robert Preston, que recebeu com este filme a sua única nomeação para um Oscar.

Wright, Rick – terminou uma era. Rick Wright, membro fundador dos Pink Floyd, faleceu a 15 de Setembro de 2008, e com ele morreu de vez a banda. Tantas vezes foi condenada, primeiro com a saída de Syd Barrett, depois com a saída de Waters, a verdade é que só agora sinto que acabou de vez. Nunca vi Barrett, Waters, nem Gilmour nem Mason como peças fundamentais do grupo – a única presença que considerava imprescindível era Rick – um homem normal, um músico bom sem ser brilhante, um tipo com muito bom gosto. Os álbums de Pink Floyd que me atraem menos são justamente aqueles em que a sua contribuição é menor ou simplesmente inexistente. Além do espólio de sons inesquecívies que legou através da banda, deixou-nos também dois excelentes álbuns a solo, Wet Dream e Broken China. Não há muito mais palavras para descrever a pena que sinto com o seu desaparecimento – resta-me lembrá-lo e ouvir os seus melhores momentos, como esta bela peça que compôs para o álbum Dark Side of the Moon, uma música que o meu amigo Pereira classificou como “a mais pura canção rock de sempre” – a apropriada Great Gig in the Sky.

Xpert Eleven – terminamos este dicionário com a bola. Ultimamente divirto-me a brincar no Xpert Eleven. Tem a sua piada, uma pessoa cria a equipa desde o início e participa em ligas privadas ou públicas em tempo real, tudo sem os custos e esgotamentos nervosos que o FM provoca.

Yannick – com um só jogador, Carlos Queirós conseguiu destruir duas selecções portuguesas. Ao convocar o rapaz para os AA retirou um trunfo precioso à selecção de sub-21 para os difíceis jogos que tinha pela frente, e cujo resultado afastou a equipa das quinas do europeu; ao não o colocar em jogo contra a Dinamarca perdeu uma oportunidade de ouro para lançar o pânico entre a defensiva nórdica com um jogador rápido e motivado, mantendo-os desta forma no seu meio-campo e evitando o descalabro final a que assistimos depois de uma excelente exibição. O pobre Djaló merecia mais, e os adeptos também. Queirós tem que começar a ter mais juízo se não quer perder apoiantes ainda antes do próximo Mundial.

Zenit – nesta era do futebol internacional, com o advento dos videojogos e da TV por cabo, é natural que vários rapazes desenvolvam noções parvas como a de ter uma equipa preferida em cada Liga internacional, ao invés de apoiar apenas uma equipa no seu próprio país. Confesso-me culpado desta prática – além do apoio que dou ao Sporting e à Académica, sou há anos um fã mais ou menos devoto do Liverpool, e apoiante de clubes como Inter de Milão, Real Sociedad, PSG, Hearts, Bayern, Ajax, etc... Desde que o futebol russo começou a desenhar-se no horizonte que escolhi para clube da minha preferência o Zenit St. Petersburg, na altura um clube ainda em crescimento. Saudosista como sou, o meu apreço só poderia ter ido para um clube da velha capital czarista. Após a entrada em cena da Gazprom, o clube atingiu a dimensão que se vê: uma equipa consistente, algumas estrelas, troféus europeus – foi por isso com um enorme sorriso que assisti à vitória do Zenit contra um dos meus ódios de estimação na final da Supertaça Europeia, e é com antecipação que aguardo boas exibições na Liga dos Campeões (apesar do mau começo com a Vecchia Signora e com Real Merdid).

0 Comments:

Post a Comment

<< Home